quarta-feira, 23 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Naquela tarde, havia caído uma pequena chuva e no campo
molhado a neblina ganhava seu espaço.
Karito, havia saído para verificar as suas armadilhas para pegar
pássaros. As margens do rio Nilo havia uma enorme variedade de pássaros. Ele mal havia adentrado no bosque, quando
notou algo diferente naquela manhã. Em uma clareira, havia como uma redoma onde
a neblina era mais intensa, mas podia notar que havia movimentos lá dentro. Ele se acercou mais da redoma e
pode ver que lá dentro se processava um ritual. Havia uma espécie de esquife,
onde estava deitado um homem. Ao redor desse esquife, havia uma figura
inconfundível, conhecida de todos os egípcios, era o Deus Anúbis com a sua
cabeça de chacal. Ele circundava com um incensário, espargindo uma densa fumaça pelo ambiente. Anúbis circundou o esquife por três vezes,
parando no ocidente, aos pés do esquife. Um corpo de homem ocupava o esquife.
Alguns momentos após as voltas de Anúbis, o Deus Ba entrou
voando no recinto, sobrevoando o morto em seu esquife. Ele sobrevoada do
ocidente para o oriente, repetindo o nome do morto: Amsu! Por três vezes ele sobrevoou o morto e por
três vezes repetiu o seu nome. Na
terceira vez, o morto abriu os olhos. Ba seguiu voando e desapareceu no oriente.
Anúbis retomava as suas funções junto ao corpo de Amsu.
Anúbis começou a
proferir uma oração:
Saudamos a vós, Atum!
Saudamos a vós, aquele que torna a si
mesmo!
Vós sois em vosso nome o altíssimo!
Vós tornais em vosso nome Khepri, aquele que se torna si mesmo!.
Vós sois em vosso nome o altíssimo!
Vós tornais em vosso nome Khepri, aquele que se torna si mesmo!.
Antes mesmo de Anúbis concluir a
oração, o Deus Atum se materializou do lado direito do esquife. Atum corria a
sua mão espalmada sobre o corpo de Amsu, da cabeça aos pés. Dos dedos da sua
mão saíam faíscas brancas, diáfanas, que penetravam pelo corpo de Amsu. Este
processo parecia revigorar o corpo fazendo-o ganhar as cores da vida. Era
possível perceber que aquele corpo estava vivo agora, mas ele permanecia
impassível, estático. De repente seus olhos reviraram nas óbitas e ganhava o
brilho dos vivos. Era um olhar assustado, temeroso. O olhar de quem não sabia
onde estava e nem o que fazia naquele local. No entanto, a presença daqueles
seres por demais conhecidos. Seres que ele sempre via mostrado em encenações
religiosas e em estátuas. Agora estavam ali, em sua presença, isso só podia ter
um significado: ele estava morto e agora tinha início o seu julgamento.
Karito,
estava surpreendido com tudo aquilo, se ele assistia uma cerimônia
daquela era de se esperar que também estivesse morto. Se ele estava vivo, como
podia presenciar fatos que se estavam além do véu de Ísis?
Ele não sabia, mas em certas
circunstâncias algumas pessoas podiam passar por tais experiências. Todos os
seres encarnados contam uma proteção, uma espécie de válvula que veda o acesso
de entidades do mundo espiritual à nossa dimensão e também veda o acesso desta
pessoa ao outro mundo dimensional. Isso as protege contra a influência de
entidades do baixo astral, malévolas e vingativas. Esta proteção é chamada
entre os hindus de Tela Búdica. Em
certas ocasiões, esta tela perde o seu efeito protetor, o que também ocorre com
as pessoas que têm a mediunidade aflorada. A mediunidade é uma provação
cármica. O médium, diferentemente das outras pessoas, tem que se manter em
constante vigilância em função desta sua natureza. Por alguma razão inexplicável, a Tela Búdica
de Karito havia sofrido alguma transformação, e isto lhe dava acesso ao que se
passava em outra dimensão.
Amsu não fora um homem temente aos
Deuses, quando em vida. Era muito rico e poderoso e sua fortuna foi quase toda
roubada dos mais fracos. Abusava sistematicamente do seu poder e afrontava a
todos, em especial, àqueles menos afortunados. Sobre ele pairava suspeitas de
crimes de toda espécie. Portanto, o julgamento que ali estava se processando
não lhe iria trazer nenhum benefício. Pelo contrário, ele seria penalizado e
condenado eternamente aos tormentos do Aahla. Aquele local onde processava o seu
julgamento era o Amenti, tão conhecido
dos Egipcios. A parte seguinte iria envolver a presença de Osíris que
presidiria o julgamento e daria a sentença final. Ele ainda não tinha entrado
no Templo.
Anúbis começou a invocação de Osíris:
“Eu te saúdo, Osíris, filho primogênito
de Seb;
tu, o maior dos seis Deuses nascidos da
Deusa Nu, a água primordial;
tu, o grande favorito do teu pai Ra;
Pai dos pais, Rei da Duração, Senhor da
eternidade...
Que, tão logo aqueles que saíram do
Seio da tua Mãe,
Reunistes todas as coroas e cingistes o
Uraeus, a serpente,
Em tua cabeça;
Deus multiforme, cujo nome é
desconhecido, e que tem muitos
Nomes nas cidades e nas províncias.”
A figura imponente do senhor dos
Deuses, tomava forma no recinto e a sua divindade exuberante, assustou Karito.
Este não conseguiu conter uma exclamação pela deslumbrante figura de Osíris.
Este pequeno percalço foi o suficiente para fazer com que toda aquela
fantástica assembleia se desvanecesse. Todo o cenário desapareceu, assim que os
Deuses envolvidos naquele solene ritual, tomaram conhecimento de que estavam
sendo espionados. A presença de um mortal assistindo ao ritual de julgamento de
uma alma, jamais tinha acontecido em toda a história da humanidade. Karito
também saiu em desabalada corrida até a sua casa. Não adiantava contar para
ninguém o que vira, ninguém iria lhe dar crédito.
Essa situação incomum trazia sérias
consequências para o mundo dos vivos. O Deus Atum reimpregnara em Amsu o seu
atmã. Desta forma, Amsu estava morto e também vivo. O Cerimonial incompleto,
fez com que os Deuses não concluíssem a sua tarefa, Amsu agora era um
morto-vivo. Destarte, Amsu tinha agora o dom da invisibilidade, embora pudesse
se materializar perante os vivos. Invisível, perdia quase totalmente a sua
densidade, isso fazia com quê pudesse saltar as maiores alturas e descer
flutuando até o solo. Ele virtualmente podia voar e se transportar de um lugar
ao outro em extrema velocidade. Mas, o seu lado vivo precisava se alimentar
para continuar existindo e esse alimento não era o nosso comum. Amsu precisava
se alimentar da energia vital dos seres humanos para que continuar a sua
estranha existência. Mas Karito nada sabia de tudo isso. Para ele tudo acabara
ali, como o despertar de um sonho.
Aamâncio
(Beau Geste)
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
sábado, 31 de agosto de 2013
14/07/2013 - 02h30
Judeus etíopes se preparam para migrar para Israel
FÁBIO ZANINI
ENVIADO ESPECIAL A GONDER (ETIÓPIA)
ENVIADO ESPECIAL A GONDER (ETIÓPIA)
Numa tarde recente no norte da Etiópia, 200 rostos ansiosos acompanhavam uma lista de chamada pausadamente recitada por um homem de terno, numa sinagoga de chão de terra, teto de zinco e bandeiras de Israel nas paredes improvisadas.
Metade saiu de lá satisfeita. Acabavam de ser selecionados para uma entrevista com o governo israelense, parte do longo processo para fazer "aliyah", a imigração para o Estado judeu.
Para os demais, restou esperar mais, uma rotina que muitos já seguem há tempos. "Felizmente, Deus me deu o dom da tolerância", diz Muluken Azeze, 55, um ex-professor que há 20 anos espera para fazer a viagem.
Moradores da cidade de Gonder, todos são parte da mítica "tribo perdida de Judá", descendentes de judeus que se desgarraram há 3.000 anos da Terra Prometida.
Segundo a lenda, são de uma linhagem que remonta ao rei judeu Salomão e à rainha etíope Sabá.
Menelik, filho deles, teria migrado para a Etiópia para criar uma nova Jerusalém, liderando o povo judeu e levando como amuleto a Arca dos Dez Mandamentos.
Menos fantástica e com maior base histórica, a teoria mais aceita é que os judeus chegaram à região há 2.500 anos, vindos do Egito, seguindo o curso do rio Nilo até uma de suas nascentes, no Lago Tana, perto de Gonder.
Seus ancestrais teriam fugido após a destruição do Primeiro Templo de Jerusalém pelos babilônios, em 587 A.C.
Seja como for, os "falash", como são conhecidos, formaram durante séculos uma comunidade virtualmente isolada num país majoritariamente cristão e com expressiva minoria muçulmana.
Tinham uma forma primitiva de seguir sua religião. Desconheciam o Talmud, por exemplo, um dos documentos sagrados do judaísmo, nem tinham rabinos. Também praticavam sacrifícios de animais, algo que já havia caído em desuso em outras comunidades judaicas.
No século 20, após o estabelecimento de Israel, a comunidade, que chegou a ter 100 mil pessoas, foi "redescoberta" e incentivada a imigrar, como ocorreu com judeus de todo o mundo.
Mas foi nos anos 80 que começaram enormes operações com nomes como Moisés, Josué e Salomão, para resgatar judeus da fome e das guerras etíopes. Cerca de 30 mil foram levados por avião para Jerusalém, uma das maiores operações de remoção da história. Outros 70 mil migraram por conta própria.
CRISTÃOS
O assunto parecia encerrado, mas voltou à tona em 2010. O foco passou a ser uma comunidade de cerca de 7.000 pessoas conhecidas como "falash mura". Nada de novo, não fosse um ponto: eles nem judeus são.
Com a ajuda de um forte lobby nacionalista em Israel e apoio de judeus endinheirados nos EUA, conseguiram convencer o governo de que seus antepassados foram forçados a se converter para o cristianismo por missionários ocidentais no século 19.
A tese é polêmica e provoca reação no país. "Cada onda de etíopes que chega tem laços mais tênues com o judaísmo", diz Stephen Kaplan, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém que estuda o tema.
Nos últimos três anos, os "falash mura" vêm sendo levados para Israel em voos de carreira ou charters, ao ritmo de 50 a 100 pessoas por mês.
Em Gonder, os últimos serão "resgatados" até o final do mês que vem.
A tarefa é coordenada por Asher Seyum, 43, etíope que escapou aos 12 anos da guerra cruzando a pé para o Sudão junto da família, no início dos anos 80.
De lá, migrou para Israel, entrou para o serviço diplomático e retornou a seu país de origem 29 anos depois, com mulher e dois filhos pequenos, para encerrar o último capítulo do que vê como uma missão de três milênios: a reunião do povo judaico.
"Estamos encerrando um capítulo histórico. Imagine o que isso significa para mim, um ex-refugiado", diz.
Formalmente seu título é diretor da Agência Judaica de Israel. Mas a função é bem maior do que o título burocrático sugere: é ele o portador de boas notícias para os que vão e o encarregado de novamente pedir paciência aos que ainda ficam.
Muitos jamais mudarão para Israel. Não convenceram o governo de que descendem de judeus, já que o processo, baseado sobretudo em entrevistas e na história oral, tem alguma subjetividade.
Outra dificuldade é preparar pessoas que vêm de vilarejos de um dos países mais pobres do mundo (173º no ranking de desenvolvimento humano da ONU) e vão para um dos mais industrializados (16º nessa mesma lista).
Enquanto esperam, os "falash" recebem assistência médica numa clínica do governo e uma cota de 25 kg a 80 kg de farinha por mês, base do injera, pão borrachudo que é o arroz-feijão do país.
PRECONCEITO
Muitos dizem que a migração será uma realização espiritual, um reencontro com antepassados, mas poucos escondem que há interesses materiais. "Minha irmã já foi para lá e me disse que a vida é melhor", diz Abe Tesfaw, 29, que vive de bicos em Gonder.
São otimistas mesmo com a inevitável dificuldade de adaptação e o preconceito que muitas vezes sofrem. Ao chegarem a Israel, os etíopes passam de 12 a 18 meses em centros de adaptação.
Quando saem, teoricamente estão preparados para conseguir sobreviver de forma autônoma. Mas têm taxa de desemprego de quase 20% (o triplo da média do país) e poder aquisitivo um terço menor do que não etíopes.
"O Estado faz um esforço grande para integrar os etíopes, e há uma série de casos individuais de sucesso. Mas como comunidade eles ficam abaixo da média do país", diz o professor Kaplan.
Mesmo ainda aprendendo a serem judeus, muitos parecem genuinamente interessados na nova fé. Ao final do evento na sinagoga de Gonder, o grupo --homens de quipás coloridos de crochê, mulheres de longos vestidos brancos-- acompanhou com fervor um culto. A maioria é habitué do local. "Rezo todos os dias, como manda o Velho Testamento", diz Tesfaw.
Publicada em 30/08/2013 - 14h07min / Autor: Assessoria
Funcionário da Caixa ganha direito de ter CTVA novamente
No entanto este não foi o entendimento do juiz do trabalho Geraldo Rudio Wandenkolken, que tomou por bases decisões de outros juristas e de outros tribunais que determinam que a parcela Complemento Temporário Variável de Ajuste de Mercado (CTVA)
Um funcionário da Caixa Econômica Federal, que está afastado do serviço para tratamento de saúde, ganhou na justiça trabalhista o direito de ter novamente incorporado ao seu salário o Complemento Temporário Variável de Ajuste de Mercado (CTVA), um mecanismo que permite garantir aos ocupantes de cargos em comissão uma remuneração condizente com a prática do mercado de trabalho bancário.
O empregado, que atuou por mais de 10 anos num cargo de confiança, deixou de receber o complemento em dezembro de 2012, por conta de decisão unilateral do banco, que alega que, como a soma dos valores da remuneração base mais a gratificação de cargo comissionado ultrapassa o valor do piso de mercado, o pagamento da parcela (CTVA) seria automaticamente extinto.
No entanto este não foi o entendimento do juiz do trabalho Geraldo Rudio Wandenkolken, que tomou por bases decisões de outros juristas e de outros tribunais que determinam que a parcela Complemento Temporário Variável de Ajuste de Mercado (CTVA), que foi instituída pelo próprio banco para complementar a remuneração dos empregados em cargos de confiança, tem natureza salarial e é ainda mais garantida quando o funcionário exerceu este mesmo cargo, nas mesmas condições, por mais de 10 anos, como se revela o caso deste funcionário da Caixa em Porto Velho.
O magistrado, portanto, deferiu a tutela antecipada em favor do empregado, que vai receber o valor relativo às parcelas do CTVA não pagas desde sua extinção, em dezembro de 2010, até os dias atuais, e ter novamente este benefício incorporado em seu salário, mesmo agora com cargo efetivo. Este valor será definido, inclusive, com reflexos nas férias, gratificações natalinas e semestrais, adicional de tempo de serviço, pessoal, VP, abonos e FGTS, além das participações de empregado e empregador para o plano de aposentadoria.
A ação foi ajuizada e conduzida pela advogada Karoline Costa Monteiro, do escritório Fonseca & Assis Advogados Associados, responsável pela assessoria jurídica do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia - SEEB/RO.
O empregado, que atuou por mais de 10 anos num cargo de confiança, deixou de receber o complemento em dezembro de 2012, por conta de decisão unilateral do banco, que alega que, como a soma dos valores da remuneração base mais a gratificação de cargo comissionado ultrapassa o valor do piso de mercado, o pagamento da parcela (CTVA) seria automaticamente extinto.
No entanto este não foi o entendimento do juiz do trabalho Geraldo Rudio Wandenkolken, que tomou por bases decisões de outros juristas e de outros tribunais que determinam que a parcela Complemento Temporário Variável de Ajuste de Mercado (CTVA), que foi instituída pelo próprio banco para complementar a remuneração dos empregados em cargos de confiança, tem natureza salarial e é ainda mais garantida quando o funcionário exerceu este mesmo cargo, nas mesmas condições, por mais de 10 anos, como se revela o caso deste funcionário da Caixa em Porto Velho.
O magistrado, portanto, deferiu a tutela antecipada em favor do empregado, que vai receber o valor relativo às parcelas do CTVA não pagas desde sua extinção, em dezembro de 2010, até os dias atuais, e ter novamente este benefício incorporado em seu salário, mesmo agora com cargo efetivo. Este valor será definido, inclusive, com reflexos nas férias, gratificações natalinas e semestrais, adicional de tempo de serviço, pessoal, VP, abonos e FGTS, além das participações de empregado e empregador para o plano de aposentadoria.
A ação foi ajuizada e conduzida pela advogada Karoline Costa Monteiro, do escritório Fonseca & Assis Advogados Associados, responsável pela assessoria jurídica do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia - SEEB/RO.
URL: www.rondoniadinamica.com/arquivo/funcionario-da-caixa-ganha-direito-de-ter-ctva-novamente,56431.shtml
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